A cimeira de três dias comemora os 30 anos do aparecimento da doença provocada pelo vírus VIH e começou na quarta-feira com declarações definitivas do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Hoje, reunimo-nos para pôr fim à sida. É o nosso objectivo: o fim da sida dentro de dez anos, zero infecções novas, zero traumatismos e zero mortes devido à sida”, disse Ban.
A Onusida informa que 6,6 milhões de pessoas recebem tratamento contra o vírus em países pobres, dez vezes mais do que há cinco anos. Mas outros dez milhões continuam sem tratamento nestes países, o que acaba por resultar na morte de 1,8 milhões de pessoas por ano, de uma doença que apesar de já ser controlável, ainda não tem cura.
É isso que a reunião quer mudar. Segundo a AFP, organizações não governamentais como a ACT UP Paris, Aides e os Médicos Sem Fronteiras vêem com bons olhos a medida. “Este novo acordo tem de ser agora traduzido em acções imediatas e ao nível internacional tem de acabar o congelamento dos fundos para a luta contra a sida”, disse a ACT UP, citada pela AFP. Segundo a porta-voz do movimento, ainda não houve um acordo em relação aos países que vão financiar a medida. “Ainda não há um plano específico de acção”, disse citada pela AFP.
Por dia, 7000 pessoas são infectadas pelo vírus da sida. Os tratamentos à base de antirretrovirais mantêm a quantidade de vírus a níveis baixíssimos, por vezes indetectáveis. Mas não suprimem totalmente a infecção, já que o VIH se esconde em células que não são detectadas pelo sistema imunitário.
Segundo um especialista dos Médicos Sem fronteiras, o custo anual do tratamento desceu consideravelmente nos últimos dez anos, de perto de 6900 para 46 euros. Esta queda drástica deve-se muito aos medicamentos genéricos e torna o objectivo da ONU mais realista. Outros dois objectivos acordados pelos negociadores são o fim da transmissão do vírus entre as mães e os filhos até 2015 e a prevenção da transmissão em populações de risco.
Desde o aparecimento da sida, já morreram 25 milhões de pessoas em todo o mundo. Hoje, 33 milhões vivem com o vírus.

